Dom Pedro II, o telefone e o networking

Por: Daiane Catuzzo


Hoje a cada 10 eventos, cursos, treinamentos que recebo divulgação, 99,99% deles falam: venha fazer networking! Como se esta fosse a solução para todos os problemas de sua vida. Ora, sabemos que na prática não é tão simples assim e que só o fato de conhecer pessoas não vai resolver todos os seus desafios.


O networking é mais antigo do que pensamos, se lermos algum livro de história do mundo, do Brasil veremos o quão importante ele foi para a história da humanidade. Um exemplo, que muitos desconhecem é a relação muito próxima do Brasil com a invenção do telefone...


Sim o Brasil, mais precisamente Dom Pedro II, teve papel importante na invenção de Graham Bell. Sabe como isso aconteceu? Networking.  Dom Pedro II  em 1876 foi para Boston buscar informações sobre escolas para surdos-mudos, que gostaria de trazer ao Brasil, participou de uma aula de Graham Bell demonstrando seu interesse por ciências e Tecnologias. Em junho do mesmo ano Dom Pedro II fazia parte  da comissão  cientifica da Exposição Centenária, onde sua missão era avaliar os experimentos da mostra,  diante do interesse por todos inventos, o tempo tornou-se curto e corria-se o risco da comissão não conseguir olhar todos os estandes, foi quando Graham Bell reconheceu o Monarca Brasileiro e sabendo de se entusiasmo pela ciência e Tecnologia chamou-lhe a atenção e ambos se encontraram.  Bell então fala “tenho um aparelho elétrico, uma máquina falante que eu gostaria que Vossa Majestade examinasse”.


Um dos outros juízes então avisa  o Imperador  de que não deveria perder tempo “com aquele brinquedo infantil do professor Bell”. O imperador por sua vez, por conhecer o trabalho do professor vai até o estande humilde de Bell e lá o telefone é testado.

Alguns historiadores comentam que se não fosse a curiosidade cientifica de Dom Pedro II o invento do Sr. Bell jamais teria sido conhecido. Eu acrescento mais um elemento a este discurso o networking, se eles não se conhecessem em uma sala de aula, e pudessem ter de alguma forma construído um relacionamento, talvez Dom Pedro II não teria visitado o estande de Bell na mostra cientifica da Filadélfia.


Um dos livros que li sobre networking – que diga-se de passagem muito bom – é o livro “Nunca Almoce Sozinho”, que teve sua primeira edição publicada em 2006, ou seja, mais de 10 anos. O livro ensina como  criar a tua rede para chegar aos resultados que almeja, inclusive a estratégia utilizada pelo pai do autor Keith Ferrazi em conseguir uma bolsa de estudos para o filho na escola particular onde viviam. Qual era seu objetivo? Colocar o filho no mesmo meio das pessoas mais importantes, consequentemente, manter relacionamento com as pessoas mais influentes da sua região. Alias, se   não fizeram a leitura, recomendo!


O fato de trazer este tema não é porque sou contra o modismo do networking, muito pelo contrário, acho fundamental para nossa vida, agora é importante deixar claro ele, por si só não vai resolver nenhum problema de nossa vida, em alguns casos pode até complicar ainda mais.


Aí você se pergunta: Como conhecer pessoas pode complicar mais a minha vida? Agora pense comigo, quantas vezes conhecemos uma pessoa que depois ela não larga mais do nosso pé? Você até tenta, mas a ela não te deixa, te manda mensagem de manhã, meio dia, noite pelo Whatsapp, Facebook,Messenger, e-mail, sinal de fumaça ... volto a perguntar networking é sempre bom?


Voltando aos eventos de networking há duas situações muito comuns:


1º A busca desesperada pelo cartão da felicidade: as pessoas ficam tão desesperadas para pegar seu cartão que nem olha em seu olho, não lhe cumprimentam e nem sem quer lhe dizem algo como um simples prazer em conhecer;



2º Metralhadora de Cartões:  como tem pessoas que pensam que sair entregando cartões vai fazer sua rede crescer, ora você vai lembrar da pessoa que simplesmente te deu um oi e disse: “aqui está o meu cartão”. Para mim isso não faz sentido, não vou nem lembrar quem é a pessoa que deixou este cartão e muito menos o que ele faz, pois ela não falou.

Cuidado ao fazer networking, trate-o com sabedoria e estratégia, focado em seus objetivos, com efetividade e principalmente, como um dos bens mais preciosos que pode ter. Isso passa pelo seu cartão de visita, o olhar no olho do interlocutor, a prestatividade, o doar para depois receber. Como diria Jane Howard: “chama-lhe um clã, uma network, uma tribo, uma família: Independente do nome que lhe der, e onde quer que esteja, precisa de um. ”

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